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Autismo e Hipermobilidade: O que muda no diagnóstico e no suporte diário?

Autismo e Hipermobilidade: O que muda no diagnóstico e no suporte diário?

Conteúdo

Veja nesse artigo como o autismo e hipermobilidade se conectam e entenda seus impactos no diagnóstico, sintomas e suporte clínico diário.

Se você está no espectro autista (TEA) e sente que seu corpo apresenta dores articulares, fadiga constante, problemas digestivos ou palpitações inexplicáveis, saiba que você não está sozinho.

Nos últimos anos, a ciência tem avançado de forma significativa e, portanto, passou a reconhecer uma conexão profunda entre o TEA e a hipermobilidade articular, também chamada de frouxidão ligamentar ou Transtorno do Espectro de Hipermobilidade.

Essa comorbidade sugere que um transtorno hereditário do tecido conjuntivo (DHTC) pode atuar como um fator biológico importante em parte dos indivíduos autistas. Portanto, compreender essa ligação é essencial para quebrar o ciclo de sintomas ignorados e buscar um cuidado realmente integral e humanizado.

Implicações clínicas: quando o tecido conjuntivo cede

O Transtorno do Espectro de Hipermobilidade e a hipermobilidade articular são caracterizados por frouxidão ligamentar, fragilidade tecidual e manifestações que, portanto, vão muito além das articulações. Sendo assim, compreender essa condição de forma ampla é essencial para um cuidado mais assertivo.

Como o colágeno está presente em quase todos os tecidos do corpo, os efeitos podem ser musculoesqueléticos, autonômicos e até neuropsiquiátricos.

1. Desafios musculoesqueléticos e dor crônica

A dor é um dos sintomas centrais dessa sobreposição entre TEA e hipermobilidade.
Muitos relatam uma dor generalizada e exaustiva, associada à instabilidade articular e ao risco aumentado de luxações.

Além disso, são comuns sintomas como fraqueza muscular, atraso motor, hipotonia e incoordenação motora (ou “clumsiness”). Essa disfunção está ligada a uma propriocepção prejudicada, ou seja, dificuldade em perceber o corpo no espaço, algo frequente em ambos os quadros.

2. Disfunção autonômica e sistêmica

A hipermobilidade também pode estar associada a disautonomia, ou seja, falhas no sistema nervoso autônomo. Essas alterações impactam o ritmo cardíaco, a digestão e até o sono.

Entre os sintomas mais comuns estão palpitações, tonturas, refluxo gastroesofágico (GERD), constipação e dores abdominais persistentes. Além disso, distúrbios do sono são frequentemente relatados, agravando o cansaço físico e mental.

3. Manifestações neuropsiquiátricas

A presença da hipermobilidade pode intensificar sintomas ligados aos Transtornos do Neurodesenvolvimento (TNDs).

Crianças com frouxidão ligamentar podem apresentar sinais precoces de hiperatividade, desatenção, atraso na fala, dificuldades de interação social e problemas emocionais.

Além disso, ansiedade e depressão são comorbidades comuns, impactando de forma direta a qualidade de vida.

Implicações de apoio: cultivando a compreensão e o cuidado

Apesar das evidências, muitas pessoas enfrentam anos de diagnósticos fragmentados. O reconhecimento clínico dessa interconexão é o primeiro passo para uma abordagem mais eficaz.

1. Reconhecimento e conscientização clínica

Profissionais que atendem pessoas com TEA devem considerar a possibilidade de um distúrbio do tecido conjuntivo subjacente.

Quando essa associação é identificada precocemente, o tratamento se torna mais assertivo, e o paciente se sente validado. Receber o diagnóstico correto traz alívio psicológico, pois confirma que a dor é real e tratável.

2. Abordagem multidisciplinar e holística

O cuidado ideal deve unir corpo e mente. Portanto, o manejo deve envolver equipe multidisciplinar, com foco em fisioterapia, psicologia e acompanhamento médico.

A fisioterapia especializada ajuda a fortalecer o core, melhorar o tônus muscular e reduzir o risco de lesões. Já a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e outras abordagens psicológicas podem auxiliar no manejo da ansiedade e da dor crônica.

Sendo assim, integrar estratégias físicas e emocionais oferece melhores resultados a longo prazo.

3. Foco na qualidade de vida

A hipermobilidade impacta de forma direta a qualidade de vida física, psicológica e social. Portanto, o tratamento deve ir além dos sintomas isolados, buscando restaurar a autonomia, o bem-estar e o equilíbrio corporal e emocional do paciente.

Um novo olhar sobre corpo e neurodivergência

Reconhecer a comorbidade entre o Transtorno do Espectro Autista e a Hipermobilidade Articular é abrir caminho para uma medicina mais compassiva e precisa.

Quando olhamos o paciente por inteiro (e não apenas pelos sintomas), conseguimos oferecer estratégias personalizadas que realmente transformam a vida.


Se você se identificou com esses sintomas e quer entender melhor como eles se conectam, agende uma consulta comigo.

Juntos, podemos traçar um caminho de cuidado que respeite sua singularidade e promova bem-estar de forma integral.

Bibliografia

Leia também: Entenda os Efeitos dos Transtornos Sensoriais em Crianças e Adolescentes

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Kaliny Trevezani

Médica Pediatra - CRMDF 20469 / RQE 12424

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Dra Kaliny Cristine Trevezani de Souza
Pediatra – CRMDF 20469 / RQE 12424

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